Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2006

Metade das línguas faladas no mundo sob ameaça de extinção.

Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Preservar o idioma é preservar a cultura de um povo Actualmente existem cerca de 6500 línguas diferentes em todo o mundo. Quase metade é falada com pouca frequência. As chamadas línguas minoritárias e os dialectos estão sob forte ameaça de extinção. A informação é da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) a partir de um estudo que analisa a pressão exercida naturalmente pelas línguas dominantes e a repressão política, apontadas como principais responsáveis pelo possível extermínio de cerca da metade dos 6500 idiomas falados em todo o mundo. Tal redução pode causar sérios danos à riqueza linguística mundial, conforme dados do relatório. O texto alerta que o desaparecimento de uma língua acarreta na perda definitiva de uma parte insubstituível do conhecimento humano. Em outras palavras, quando uma língua morre leva consigo a cultura do povo que praticava o idioma. E isso é irreversível. Línguas dominantes x línguas minoritárias A América e a Austrália estão na pior situação. Na Austrália, nos últimos 100 anos, foram extintas centenas de línguas aborígenes e outras tantas estão em processo de desaparecimento em decorrência das políticas de assimilação cultural em voga até a década de 70. O país prezava o idioma inglês como língua oficial em detrimento das línguas minoritárias. Nos Estados Unidos, pelo menos 150 línguas indígenas, que conseguiram sobreviver à chegada dos europeus no continente alguns séculos atrás, estão agora ameaçadas de extinção. O mesmo acontece com muitas línguas ainda faladas pelos índios brasileiros. Na Europa são faladas 230 línguas, enquanto no continente asiático são 2200. Na África, 550 línguas das 1,4 mil existentes poderão sumir em breve. O estudo cita ainda países como Japão, Filipinas e Papua Nova Guiné. Nesta região do Pacífico concentram-se actualmente um terço de todas as línguas faladas no mundo. Os idiomas francês, espanhol, chinês e russo sufocaram as línguas minoritárias em seus países. A principal causa seria a globalização, que indirectamente padroniza o idioma de cada nação. Isso faz com que as línguas que não são oficiais acabem sendo pouco valorizadas e faladas por um número cada vez menor de pessoas. Dialectos em extinção Não apenas as línguas minoritárias estão ameaçadas de desaparecimento em várias partes do mundo. O dialecto</a></a>, modalidade regional de uma língua, caracterizada por certas peculiaridades fonéticas, gramaticais ou lexicais, também segue o mesmo rumo em muitos países. Na Alemanha ainda são falados diversos dialectos, especialmente em cidades do interior. O dialecto</a></a> praticado, por exemplo, na Baviera, sul do país, é tão complexo e rico quanto o dialecto</a></a> falado no norte da Alemanha. Prova disso é que a compreensão entre ambos é difícil. O elo de ligação é o alemão oficial. De volta às raízes São poucos os países que tem consciência da importância da preservação de línguas minoritárias. Um exemplo é a Irlanda. Nos séculos 17 e 18, com a ocupação inglesa, a língua galesa foi proibida de ser falada. Os irlandeses, entretanto, não se deixaram intimidar pela proibição e continuaram se comunicando às escondidas em galês. Em 1921, a língua galesa voltou a ser aceita sem restrições e passou a ser ensinada nas escolas. A chamada Lei da Língua Galesa, de 1993, estimula a difusão do idioma, hoje falado por cerca de 19% da população. Marion Andrea Strüssmann
publicado por António Luís Catarino às 00:52

link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2006

...e depois somos nós!


A cada 15 dias desaparece uma língua do mundo, diz UNESCO

Daqui a duas semanas, uma língua que está neste momento a ser falada e/ou escrita terá desaparecido, sendo que, neste momento, mais de metade das seis mil línguas de hoje estão em perigo de desaparecimento.

A denúncia, refere a edição desta quarta-feira do jornal Público, esteve como pano de fundo nas Jornadas Internacionais da Língua Materna que decorreram na terça-feira, na sede da UNESCO, nas quais se procurou defender o multilinguismo.
Conforme fez questão de frisar o director-geral desta instituição da ONU, o japonês Koichiro Matsuura, a língua está profundamente ligada à identidade de uma pessoa, pelo que, quando uma língua morre, «é toda uma visão do mundo que desaparece».

Já o presidente da Conferência-Geral da UNESCO, Musa Bin Jaafar Bin Hassan, disse «que não é inevitável que tantas línguas desapareçam sobre o peso de outras, é preciso conseguir meios de expressão que permaneçam vivos e activos ao lado das grandes línguas da Terra». No entanto, não deixou de reconhecer ser «muito difícil deter a maré da globalização» que coloca o inglês, nomeadamente através da cultura de massas - filmes, música e televisão - numa posição de domínio.

A língua materna (ou línguas maternas) é considerada a primeira língua que um ser humano aprende enquanto criança.

Um dos sinais da avassaladora força do inglês aparece no Index Translatorium, uma base de dados da ONU que inventaria livros que todos os anos são traduzidos para uma outra língua: dos 1,5 milhões de títulos recolhidos dos cerca de 100 países-membros da UNESCO desde 1979, mais de 860 mil foram traduzidos para inglês, seguidos pelos para língua francesa, com 161 mil. O português surge apenas no 17º lugar, com 8139 obras, atrás, por exemplo, do polaco (13º, 10.933) e imediatamente à frente do árabe, que soma 8016 traduções.

22-02-2006 9:09:50
(do Público)
publicado por António Luís Catarino às 09:59

link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 19 de Fevereiro de 2006

«EU SOU UMA ÁRVORE E VOU CONTAR-VOS A HISTÓRIA DA MINHA VIDA AO LONGO DO ANO», por Ana Teresa Catarino

pyrus_communis.jpg

“Eu sou uma árvore e vou contar-vos a história da minha vida ao longo do ano.”

Eu sou uma árvore, uma pereira, e fui plantada há 3 anos, por uma menina que tinha uma quinta muito bonita, com animais.

A vida tem sido boa. A minha dona tem tratado bem de mim. Quando me plantou escolheu muito bem o sítio, com sol e abrigada do vento. Regou-me quando não chovia, cortou-me alguns ramos para me tornar mais forte e, assim, cresci feliz.

O ano passado, na Primavera, flori-me com flores tão bonitas que foram mostradas a muitas pessoas e, quando chegou o Verão, já estava preparada para dar as minhas primeiras peras, ainda pequenas mas muito saborosas. Todas as pessoas e também alguns pássaros gostaram muito. No Outono veio o vento e a chuva e fiquei sem as minhas folhas. Aproximava-se o Inverno com o seu frio e as suas geadas que me fez descansar bastante.

A minha dona vem sempre visitar-me para ver se eu estou bem. Espero agradecer-lhe com bonitas flores e boas peras.

Ana Teresa Catarino
2ºB
Porto, 19 de Fevereiro de 2006.
publicado por António Luís Catarino às 14:28

link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
|

OS CICLOS DO BAMBU, DE XAVIER QUEIPO.

xavierqueipo foto.jpg

É com amizade e com verdadeira alegria que reencontro Xavier Queipo aqui nas VII Correntes. Para um editor esta alegria redobra-se pela verificação que há outros que reconhecem um verdadeiro trabalho literário de qualidade deste escritor galego, que escreve em língua galega e que, com este livro estranho e belo, aprofunda mais as palavras e os sentidos num novo registo que constituiu surpresa para alguns habituados já a um estilo proposto em outras obras de Xavier Queipo como o «Árctico e Outros Mares» (onde se encontra este livro?) e o «Bebendo o Mar» editado pela Deriva. Esse reconhecimento e essa atenção surgem aqui nas Correntes pelo convite que lhe foi endereçado pelo segundo ano consecutivo. É nossa convicção que a literatura da Galiza irá, por si só, impor-se como uma literatura livre das peias que lhe querem armar ou ser minorada por obcecados das «grandes literaturas». Isto acontece aliás com a Irlanda, a Bretanha e com o País Basco para só citar algumas das literaturas minoritárias com quem temos contactado. Obrigado, portanto, às Correntes e principalmente a Manuela Ribeiro, a presença da Deriva.

ciclos bambu.jpg

Digo-o em Os Ciclos de Bambu que nesta sua obra editada em português Xavier surpreende-nos pela aparente facilidade com que muda de registo literário. A partir da deriva oriental apresenta-nos diários (des)construídos num Oriente que foge aos estereótipos comuns. Assim, experimentamos o minimalismo dos haikus ou haikas transposto para histórias belas e profundas, plenas de aforismos e duplos sentidos, conluiamos com ele na crítica a um Oriente invadido pelos valores do lucro e da vulgaridade e persistimos (sendo talvez aqui que resida a inovação em Xavier) na estranheza da leitura cadenciada das palavras como se fosse um jogo de sensações plásticas e profundas, sempre repetidas, contra o esquecimento. Xavier tenta avisar-nos que as palavras encerram em si a beleza a magia de um tempo perdido e que urge recuperar sem demora.

Foi isto que escrevi para os Ciclos de Bambu, com ligeiras mudanças. Mantenho a convicção íntima de que paulatinamente Xavier vai ser atendido, depois de nós já o termos feito. Que irá merecer o respeito dedicado a um grande autor que, embora novo, pertence a uma literatura viva e dinâmica integrada por direito próprio numa Europa plural e diversa. A outra questão que vos queria dizer já tem a ver com alguma secreta experiência de uma verdadeira amizade que sinto por este homem corajoso, inovador e de uma generosidade a toda a prova. Que tudo te corra bem por aqui, nestes três dias e para sempre é o que te desejo sinceramente Xavier Queipo.

Póvoa de Varzim, 15 de Fevereiro de 2006.
publicado por António Luís Catarino às 14:11

link do post | comentar | favorito
|

ABRASIVAS, DE JOÃO PEDRO MÉSSEDER

JPMess foto.jpg

João Pedro Mésseder nasceu em 1957, no Porto. Colaborador de várias revistas e jornais em Portugal e na Galiza, ensina e faz poesia. Atento e inconformado, pessoa da generosidade, da firmeza e da convicção tem ainda a capacidade de se ofender (e dizê-lo a toda a gente) com a desdita de outros. Os livros fazem o poeta e o seu contrário também é verdadeiro. Atrevo-me a destacar (palavra de que não gosto) alguns dos seus:
• A Cidade Incurável. Lisboa: Caminho, 1999.
• Fissura. Lisboa: Caminho, 2000.
• Espuma. Porto: Edições Eterogémeas, 2001 (ilustrações de Emílio Remelhe; apresentação de Francisco Duarte Mangas).
Organizou igualmente a Antologia de Carlos de Oliveira A Leve Têmpera do Vento e tem na literatura infantil vários livros. Destaco os três últimos: O Aquário, editado pela Deriva, A Palavra que Voa, da Caminho e o Mundo A Cair aos Bocados, pela Campo das Letras.
Esteve e está presente desde há alguns anos em inúmeros trabalhos colectivos como não podia deixar de ser, destacando aqui o seu trabalho nos Encontros Franco-Luso-Galaicos de Literatura Infanto-Juvenil que todos os anos se realizam na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto.

abrasivas.jpg

A edição de Abrasivas foi das mais entusiasmantes que senti como editor. Em primeiro lugar, pela própria personalidade do autor que empresta seriedade, rigor e autenticidade ao que faz transmitindo esses valores a todos os que trabalham com ele. E porque se tratou, de facto, de um trabalho colectivo é de realçar um factor que nunca foi falado em qualquer circunstância, até agora, nas apresentações do livro: a simplicidade é extremamente difícil de ser conquistada. Penso mesmo que, a partir da edição do Abrasivas, nada será igual lá na Deriva. Veja-se, pois, com cuidado, estas aparentes verdades:

Ponto 1 de uma meia-verdade: a capa é branca e as letras pretas de uma fonte simples. A verdade total: a capa não é totalmente branca, recusa o liso, adopta a rugosidade horizontal e a sombra de um papel já abandonado e amarelecido pela tipografia na altura febril das edições natalícias onde este livro não se viu porque se ia dar mal. Resta-nos a fonte simples das letras pretas. A fonte foi feita propositadamente para este projecto. Ou seja, não existe noutro livro algum.

Ponto 2 de mais uma meia-verdade: Uma simplicidade destas não requer outro tipo de intervenção que não sejam os poemas por si só. Não é assim: os poemas são acompanhados pelo trabalho de dois artistas plásticos e ilustradores por vós conhecidos: Emílio Remelhe que numera e assina cada lixa (abrasiva, portanto) na 2ª página de rosto e por Gémeo Luís que recorre a uma intervenção gráfica pensada e repensada ao pormenor.

Ponto 3 de outra meia-verdade: a poesia aforística de João Pedro Mésseder não necessita de outros tratamentos. Lê-se e interpreta-se por si. Sendo verdade esta última, não é verdadeira na sua totalidade porque uma forma linguística galega aproxima-se como um espelho em cada página da esquerda através do trabalho de Anxo Tarrío Varela e de Blanca-Ana Roig Rechou da Universidade de Santiago de Compostela. Assim Gémeo Luís preferiu diminuir as letras e a paginação da expressão galega de modo a parecer um espelho, objecto referido com grande beleza em pelo menos dois aforismos deste livro singular.

Ponto 4: no posfácio de Ana Margarida Ramos, antes de uma fotografia onde sobressai o olhar atento e interrogativo do autor, ela diz: «nos textos de João Pedro Mésseder, está, ainda, latente uma ironia fina e cortante que interpela o Homem, as suas acções, valores e comportamentos. Aliás, trata-se mesmo em alguns casos, de questionar a espécie humana, como ilustram os textos que aludem à guerra, à política, aos meios de comunicação, aos atentados ambientais e aos sentimentos vis e mesquinhos». E continua: «A escrita parece resultar, pois, de um ritual simbólico associado à Palavra, configurando uma criação literária que, a atendermos também ao título do livro, se aproxima de uma poesia táctil, desafiadora ao toque, áspera, na medida em que revela leituras que decorrem de uma apropriação sensorial, às vezes interseccionada pelo imaginário, do real e do quotidiano».

Despeço-me de vós com dois poemas - a Lógica da narrativa (Palestina/Israel, 2003), na pág. 9:

«Contra o fogo continuado dos que imolam os cordeiros de Alá, o fogo descontínuo dos cordeiros que se auto-imolam. Com ambos explode o equilíbrio de outros. Como em todas as narrativas, o equilíbrio final é diverso do inicial.»

e na pág.19 – À sombra de O’ Neill:

«Portugal: três sílabas debruçadas sobre o mar. Galiza: três sílabas debruçadas sobre Portugal.»

Póvoa de Varzim, 17 de Fevereiro de 2006.
publicado por António Luís Catarino às 14:06

link do post | comentar | favorito
|

CORRENTES D' ESCRITAS 2006. Outras derivas.

CdE_logo.jpg
Um logo de leituras. Dias chuvosos. Talvez as melhores Correntes.

publicado por António Luís Catarino às 14:01

link do post | comentar | favorito
|

.Janeiro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. Os jornais descem de audi...

. Morte de Pinochet

. Ruben de Carvalho e o mal...

. Bolas de ténis no ar

. Archie Shepp na Casa da M...

. Ratzinger ou Bento XVI, v...

. Consensos deste país

. A Bela e o Major

. A Liga

. Incompreensões

.arquivos

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

.arquivos

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

.mais sobre mim

.subscrever feeds