Domingo, 19 de Fevereiro de 2006

OS CICLOS DO BAMBU, DE XAVIER QUEIPO.

xavierqueipo foto.jpg

É com amizade e com verdadeira alegria que reencontro Xavier Queipo aqui nas VII Correntes. Para um editor esta alegria redobra-se pela verificação que há outros que reconhecem um verdadeiro trabalho literário de qualidade deste escritor galego, que escreve em língua galega e que, com este livro estranho e belo, aprofunda mais as palavras e os sentidos num novo registo que constituiu surpresa para alguns habituados já a um estilo proposto em outras obras de Xavier Queipo como o «Árctico e Outros Mares» (onde se encontra este livro?) e o «Bebendo o Mar» editado pela Deriva. Esse reconhecimento e essa atenção surgem aqui nas Correntes pelo convite que lhe foi endereçado pelo segundo ano consecutivo. É nossa convicção que a literatura da Galiza irá, por si só, impor-se como uma literatura livre das peias que lhe querem armar ou ser minorada por obcecados das «grandes literaturas». Isto acontece aliás com a Irlanda, a Bretanha e com o País Basco para só citar algumas das literaturas minoritárias com quem temos contactado. Obrigado, portanto, às Correntes e principalmente a Manuela Ribeiro, a presença da Deriva.

ciclos bambu.jpg

Digo-o em Os Ciclos de Bambu que nesta sua obra editada em português Xavier surpreende-nos pela aparente facilidade com que muda de registo literário. A partir da deriva oriental apresenta-nos diários (des)construídos num Oriente que foge aos estereótipos comuns. Assim, experimentamos o minimalismo dos haikus ou haikas transposto para histórias belas e profundas, plenas de aforismos e duplos sentidos, conluiamos com ele na crítica a um Oriente invadido pelos valores do lucro e da vulgaridade e persistimos (sendo talvez aqui que resida a inovação em Xavier) na estranheza da leitura cadenciada das palavras como se fosse um jogo de sensações plásticas e profundas, sempre repetidas, contra o esquecimento. Xavier tenta avisar-nos que as palavras encerram em si a beleza a magia de um tempo perdido e que urge recuperar sem demora.

Foi isto que escrevi para os Ciclos de Bambu, com ligeiras mudanças. Mantenho a convicção íntima de que paulatinamente Xavier vai ser atendido, depois de nós já o termos feito. Que irá merecer o respeito dedicado a um grande autor que, embora novo, pertence a uma literatura viva e dinâmica integrada por direito próprio numa Europa plural e diversa. A outra questão que vos queria dizer já tem a ver com alguma secreta experiência de uma verdadeira amizade que sinto por este homem corajoso, inovador e de uma generosidade a toda a prova. Que tudo te corra bem por aqui, nestes três dias e para sempre é o que te desejo sinceramente Xavier Queipo.

Póvoa de Varzim, 15 de Fevereiro de 2006.
publicado por António Luís Catarino às 14:11

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